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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O que é mesmo poesia?



















Quem é o poeta pra afirmar
Que a minha poesia não vai se encaixar?
Dispenso delimitações ao escrever
Jogo pela janela a métrica,
A rima, a forma correta.
Se o escrever é libertador,
Ficarei presa às normas, às regras?
O prazer de dizer,
De falar o não pensado,
Ou até o muito pensado,
De traduzir o inefável,
Está justamente em VIVER,
Inclusive no escrever.
E eu “dis – penso”
Tudo o que possa parecer amarras,
E me prendo...
À liberdade da minha subjetividade.
Pois a arte de ser poeta consiste, antes de tudo,

Na liberdade.

Indyara Ribeiro

sábado, 27 de dezembro de 2014

O pequeno grande poeta

Conheci um garotinho
Que morava na rua
Ele tinha um caderninho
Que era sua companhia fiel.
Ainda que a vida fosse um fel,
Ele continuava a escrever.
Despia sua alma,
Nua e crua,
Para sempre dizer.
Dizer o que sentia,
Falar do amor,
Da beleza das flores,
Que surgiam em meio ao amargor.
Quase tudo lhe faltava,
A comida era um presente,
O banho era no rio,
Os pais eram ausentes
E a família nunca viu.
Quando a fome doía,
Alimentava-se da poesia.
Aí a chuva carregou seu caderno,
Seu amigo das madrugadas frias,
E muito triste, ele continuou.
Arranjou outro caderno,
E a escrever, se desdobrou.
O seu lençol foi levado,
E o caderno, roubado.
De novo!
Ele se fez novo.
Recomeçou.
Ele não tinha terno,
Mas sabia ser terno.
Ele não tinha carros caros,
Mas sabia ter valor
Ele não tinha uma mansão,
Mas conseguia repousar no chão.
Perdeu tantas poesias,
No entanto, se refazia.
Por que alma de poeta,
O vento não carrega,
A chuva não leva,
E o artista, leve,
Eleva-se em arte,
Sempre nova,
Ainda que num caderno
Velhinho,
Molhado de chuva,
Com a alma desnuda...
E ainda que seu caderno caísse num esgoto,
E meu amigo perdesse tudo outra vez,
Eu diria que ele se refez,
Por inteiro novo,
Na sua inspiração,
Inesgotável.


Indyara Ribeiro

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Um diálogo: Razão X Coração


O que você quer mesmo?  - Pergunta a razão.
Sabe que eu não sei? – Responde, meio confuso, o coração.
- Como você não sabe? Pensa um pouco!
- Pensar? Eu só sinto, geralmente com uma intensidade absurda!
- Essa sua mania é perigosa, ao extremo.
- Logo você vem me falar de extremo? Você só pensa, pensa, pensa. E pensar demais, cansa.
- E sentir demais, é exposição. Mata.
- E não sentir, mata mais rápido!
- Já que sou razão, deixa eu pensar... O que fazer?
-Você não vive sem mim. E eu não vivo sem você!

Um feliz natal, cheio de paz, amor, e equilíbrio!

Indyara Ribeiro

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A DANÇA
















Timidez...
Vá agora!
Eu ordeno
E condenso
Toda a minha vontade,
Que sempre invade.
Medo?
Extirpado!
Tabus
Vão embora.
Dança!
De rosto colado!
Não é errado.
Se piso no pé,
Relaxo, todos sabem como é.
Se cair
Posso levantar,
Reinventar.
E você?
Está esperando o quê?
Se surgir dúvida,
Ou medo insistente,
Verá a sua força recorrente.
Basta ter um amigo sorridente
Um parceiro paciente
Para então  uma dança contente
E aí qualquer dor
Será sanada,
Quando dançando,
De alma lavada.

(Indyara Ribeiro)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A vida em ti guardada
















A vida em ti guardada
Deseja ser liberada
Há tanto para fazer
Desfazer
E refazer...
A vida em ti guardada
Deseja quebrar muralhas
Há tanto pra construir
Destruir
E reconstruir...
Há vida em ti guardada
Deseja ser explorada
Há tanto pra conhecer
Desconhecer
E reconhecer
A vida em ti guardada
Deseja ser enxurrada
Há tanto pra fluir
Bela cascata
Transbordada 
A vida em ti guardada
Deseja ser aproveitada
Há tanto para viver
Morrer
E reviver
A vida em ti guardada
Deseja ser desengaveta
Sair do casulo,
Virar borboleta!

Indyara Ribeiro

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Final feliz!























Sofri com inverdades.
E quem nunca?
Já vivi decepções imensas,
Dores densas,
E ainda assim,
Mesmo que difícil pra mim,
Continuo acreditando,
Mergulhando, amando!
Jorge Vercillo tem razão,
Mas eu vou na contra-mão.
Tive diversos finais felizes,
Daqueles imprescindíveis,
Para que outros começos pudessem surgir.
Hoje eu só quero um bom início,
Pra nem ter que pensar no fim.
Posso até mergulhar,
Mas afogar-me no outro?
Não mais. Jamais.
Sou portadora de um tanque torrencial
Com o combustível perfeito, essencial.
Amor à vida hoje é o meu cais.
A tudo refaz!
Chega de fingimentos,
De falsos vetores e sentimentos.
Anseio verdade!
É o que em mim arde,
A mais rara obra de arte.
E se o final acontecer,
Vai ser sempre como flor de lis,
Final feliz.

Indyara Ribeiro

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Santo!

















É tanta romaria
Da noite à alvorada
Santo que ali jazia
Sepultura imaculada

Evangelho camuflado
Por completo travestido
Discurso de que tudo é pecado
E tem que ser santo, sempre contido

Ser o não poder ser
Ser a morte de cada dia
Ser o não poder viver
Ser que contém sua euforia

Ouvir música é errado
Movimentar o corpo não é de Deus
Quem dança no mundo é ateu
A referência é fariseu!

Filme que não seja sacrossanto? Proibido!
Ir à casa de um amigo, jamais permitido
Namorar, nem pensar,
Ser humano é se anular.

A regra aqui é muito clara:
Só se pode julgar!
É tanto santo com celeste morada,
Garantida no “blá blá blá”.

Apontar o dedo é razão,
Dizer que o irmão vai pro inferno, coração!
Ser juiz sem fazer direito é super comum
Mas não pense que é privilégio pra qualquer um!

Pescador de homem por natureza
Fere a boca alheia na tentativa de capturar
Degrada almas fazendo “proeza”
Numa ironia singular...

Em pele de ovelha,
Pura essência de lobo,
Hipocrisia perfumada,
Santo...do pau oco!


Indyara Ribeiro

(P.S: Tenho o maior respeito por cristão que vivem o que pregam, que espalham amor, e tenho grandes exemplos disso em minha vida. No entanto essa é uma crítica com base no que experiencio diariamente, pessoas que vivem na teoria, e na prática, nada. Espalham ódio e julgamentos ao próximo, e se acham superiores aos demais.)

domingo, 16 de novembro de 2014

A concurseira
















Desculpa, mas não estou conseguindo estudar.
Eu sento e dedico horas do meu dia
Na tentativa de me concentrar.
Psicologia, direito, português,
Raciocínio lógico pra resolver de uma vez.
E logo, desconcentro-me,
Desconcerto-me.
Leio a primeira lei.
E vou direto para a transgressão!
A poesia fala tão alto,
De forma que tira qualquer atenção.
Eu tento. Eu busco. Reluto.
Digo que não vou escrever.
Ela diz: É hora!
Eu brigo: Não é!
Bato o pé.
Continuo a minha leitura.
Na segunda linha
Ela grita em meus ouvidos...
Ah não!
Peço silêncio!
Peço de novo!
Imploro. Repito.
[Tampões em meus ouvidos.]
Coloco-me firme. Resisto.
Volto para a segunda linha.
E lá vem ela, de novo.
Desisto.
Por que ela me sacode,
Coloca tudo em ordem.
Ela entra e sai
E costura-me de um jeito,
Faz qualquer artéria rompida
Voltar a funcionamento perfeito.
Começo a deixar a fluir.
Escrevo um poema,
E depois outro.
Troco versos, faço prosa,
Poetizo as conversas em órbita.
Dou risada. Gargalhadas!
Construo tudo, e também nada.
Passo horas escrevendo
Aquilo que, involuntariamente,
Está aqui dentro,
No ‘espaço’ que se chama mente.
Por favor, alguém me ensina a não ser poeta?
Estou em estado de alerta.
E quando quero deitar e dormir...
Computador desligado,
Neurônios desativados,
A poesia me obriga a pegar o caderno
E a escrever mais versos,
Ternos, fluidos, sinceros.
Ser poeta é a minha essência,
E é tão ruim querer deixar de ser.
É terrível ser quem não se é.
Desespero-me!
Nunca me senti tão improdutiva,
Sem conseguir estudar.
Desculpa. Tenho que admitir.
Nunca rendi tanto em minha vida.
Não estou perdida.
Apenas registro o que o coração diz,
Às vezes, calado.
Estou longe de ser profissional.
Apenas é o meu eu se despindo.
Meu singelo pulsar sentindo.
Estou nua, como a lua,
E embora pareça estar tudo escuro
Dizem que emano luz, sem querer.
Talvez porque eu escreva cheia, sem pensar.
E quando penso que está na hora de minguar,
Tudo errado.
A poesia vem novamente a me despertar.
Desculpa, mãe...
Mas eu não estou conseguindo estudar.
Aliás, tem concurso pra ser poeta?

Vou olhar o edital!

Indyara Ribeiro

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O remédio!













Aaaaaaai...

Tá doendo!
Socorro!
Isso dói!!!
Isso assa
Isso corrói
Isso tritura
Isso esmaga.
Socorro!
O pior é que não existe,
Até então,
Remédio pra sarar logo.
Eu bem queria aquela receita
De uma fórmula específica
Feita pra mim.
Com toda essa tecnologia
Não inventaram algo tão útil?
Eu não me importaria
Se fosse caro.
Eu pagaria o preço,
De qualquer jeito!
Eu dava um jeito!
Eu não ia ligar
Se eu tivesse que passar
Uma semana tomando,
Ou um ano inteiro pagando.
Podia ser em creme,
Em gel,
Pra passar em cima,
E passar urgentemente.
O que eu queria é que curasse
Tudo... De uma vez!
Mas essa dor,
Causada por um falso amor
Não pode ser erradicada.
Estou fadada...
A senti-la.
Talvez, suma,
Algum dia,
Repentinamente,
Com um amor verdadeiro.
[Quando é que você chega mesmo?]
Não tenho pressa,
Sou super tranquila.
Mas agora?
Estou ansiosa. Nervosa.
O meu coração está em carne viva.

Indyara Ribeiro

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Suspiros...



















A sua respiração
Em meus lábios
Sentindo o cheiro
Da minha pele
Seus olhos, fechados.
Inspira
Expira
Amoleço
Vou fechando os meus
Sinto o seu cheiro
Tão peculiar.
Inspiro
Expiro
Toques suaves
E a gente vai...
Suspirando,
Ouvindo a canção
Em intensa paixão,
Respirando emoção
Sentindo a primavera
E o cheiro
De terra,
Semeando,
Colhendo,
Lado a lado,
Sensibilidade,
Unidade.
O cravo,
A rosa,
Paixão em perfume,
À flor, da pele.

Indyara Ribeiro

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Escreva. Insisto, escreva!
















Quando tentar escrever, não imite!
Não fique preocupada com o jogo de palavras
Não imponha uma regra ou limite
É certo que você pode admirar poetas nobres
Mas não deixe sua poesia pobre
Dê a ela toda a riqueza que só você possui.
Insegurança é normal.
Mas logo você percebe que quem escreve é anormal.
É a poesia sem muito sentido
É o coração sentido, expressivo.
O que faz a poesia ser exclusiva
É a paixão a ela atribuída.
E paixão não se imita.
Portanto, faça a sua poesia fluir.
Há um artista que só você conhece.
Ou não.
E se você desconhecer,
Descubra, e apresente-o a nós,
Pois o que eu mais quero,
Não é ver “poesia profissional”.
É ouvir a sua voz.

Indyara Ribeiro

O viver!




Pau
Pedra
Ladeira
Granizo
Deserto
[Caminho...]
Fome
Sono
Canseira
Dor
[Corro...]
Chuva
Sol
Flores
Frutos
Frio
Calor
[Desacelero...]
Inspiro
Expiro
Lareira
Vinho
Brisa
Cheiro de terra
Cheiro de mar...
Uma comidinha gostosa
Um suco pra refrescar
Renovo minhas energias
[E volto a caminhar...]
Apesar dos obstáculos
Viver é contagioso.
É o lado bom e o ruim
É o dia e a noite.
É a lágrima de quem escala
A montanha e chega ao topo
E a lágrima de quem chega
Ao fundo do poço.
É ganhar experiência
É amadurecer,
E se o viver fosse apenas riso
Seria um viver raso.
Mas quem quiser viver uma vida
Diferente dessa,
Vá para outro mundo
Por que nesse aqui
Viver é estar exposto
E é pra quem tá disposto
A pagar o preço de uma vida
Com estações muito bem definidas.
E, às vezes, é a completa indefinição.
Indyara Ribeiro